O Presidente timorense, Taur Matan Ruak, disse hoje, num discurso para assinalar o 10º aniversário da restauração da independência, que as forças de paz deixam este ano Timor-Leste e que a ONU passará a ter uma missão política.

“É também neste ano do nosso 10º aniversário que assistiremos à retirada das missões da ONU do nosso país, enquanto forças de paz, forças de manutenção da paz e de apoio à construção do Estado”, afirmou Taur Matan Ruak, na cerimónia de Içar da Bandeira.

A Missão Integrada das Nações Unidas para Timor-Leste (UNMIT) e a Força de Estabilização Internacional, liderada pela Austrália, tem previsto o final do seu mandato para dezembro deste ano.

“Estou convicto de que a comunidade internacional aceitará manter uma pequena missão da ONU. Será, contudo, uma missão política de apoio ao processo de transformação do país, ao seu desenvolvimento”, afirmou o Presidente timorense.

Taur Matan Ruak disse também que a saída daquelas missões é um “sinal de que já muito foi alcançado”.

Ao olhar para o dia 20 de maio de 2002, disse, “verificamos que, para além das duas instituições democraticamente eleitas – o Presidente da República e o Parlamento Nacional, a partir do qual foi formado o 1º Governo Constitucional, estava quase tudo por fazer”.

“Olhar o país hoje, dez anos decorridos, é ter motivo de orgulho por tudo o que foi alcançado e construído por nossa responsabilidade e com o apoio, assistência e cooperação internacionais”, acrescentou.

No discurso, Taur Matan Ruak falou também da relação e integração de Timor-Leste na região e no mundo.

“Timor-Leste é hoje uma Nação diplomaticamente ativa que tem vindo a diversificar e a alargar o seu âmbito de ação e de trabalho”, disse.

Segundo o Presidente, ao nível da região deseja “elevar a relação estreita e cordial” com a Indonésia e Austrália para uma “relação de aliados”.

“Ao nível internacional, reafirmo o nosso empenhamento na Organização das Nações Unidas e respetivas agências”, disse.

Sobre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Taur Matan Ruak disse que é a “família de identidade que deriva de laços históricos seculares”.

“Também com a CPLP, desejo ver alterações de qualidade e em quantidade”, disse, salientando que apesar do trabalho realizado em muitos setores há espaço para mais.

Para o novo Presidente timorense, na CPLP ainda “há muito trabalho a fazer” para que a família seja sentida pelas populações.

Em relação à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Taur Matan Ruak lembrou que se prepara a adesão à organização e que Timor-Leste ainda tem muito trabalho por realizar.

No discurso, o Presidente timorense agradeceu a todos os que contribuíram para o “renascer” de Timor-Leste, deixando uma homenagem a todos quantos sacrificaram as suas vidas para assegurar a paz no país.

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