Timor-Leste – Presidente eleito diz que teste foi ultrapassado

 

O Presidente eleito de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, disse hoje à agência Lusa que os últimos 10 anos foram um teste ultrapassado, mas o país precisa de consolidar a paz para entrar na fase do desenvolvimento.
“Foi um verdadeiro teste para os timorenses, sobretudo, para a nossa capacidade de gestão. Acho que nós os conseguimos ultrapassar, apesar de termos enfrentado vários problemas ao longo dos últimos 10 anos”, afirmou Taur Matan Ruak.
“A independência não teria sentido se o nosso povo continuar a enfrentar dificuldades de vária ordem no seu dia-a-dia. Timor tem condições para ultrapassar tudo isto, mas o importante é consolidar a paz para avançarmos para a outra fase que é desenvolver o país”, salientou.
Taur Matan Ruak demitiu-se da chefia das forças armadas timorenses em setembro passado para se candidatar às eleições presidenciais de Timor-Leste, que venceu à segunda volta com mais de 60 por cento dos votos e será investido no cargo no próximo domingo.
No mesmo dia, Timor-Leste celebra dez anos da restauração da independência que foram vividos com alguns momentos de instabilidade, dos quais se destacam a crise política e militar de 2006 e a tentativa de assassínio do Presidente cessante, José Ramos-Horta, e o ataque contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, em fevereiro de 2008.
Em janeiro 2006, centenas de soldados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste submeteram uma petição a Taur Matan Ruak e ao ex-Presidente do país Xanana Gusmão, alegando que havia discriminação no seio das forças armadas contra os militares oriundos dos distritos ocidentais.
Em fevereiro do mesmo ano mais de 500 militares abandonaram os quartéis e em março foram exonerados, acabando por realizar manifestações que provocaram uma crise política e militar, que só terminou após a morte do major Alfredo Reinado durante um atentado contra o Presidente José Ramos-Horta.
“Hoje posso afirmar que Timor tem futuro e que os timorenses estão determinados para avançar, garantir a paz, trabalhar para consolidar a paz e a democracia e desenvolver o nosso país, que é fundamental para garantir o bem-estar do povo”, afirmou Taur Matan Ruak.
O ex-chefe das forças armadas timorense lembrou à Lusa o dia da restauração da independência, há 10 anos, salientando nunca ter acreditado que o país se tornasse soberano tão cedo.
“Nunca acreditei que Timor-Leste se tornasse independente tão cedo, morreram milhares, mas estavam vivos alguns para presenciar aquele momento”, disse, recordando a mistura de sentimentos que viveu naquele dia.
“Pensámos nos que perderam a sua vida pelo nosso país, que também tinham o sonho, como nós, de querer viver até ao fim e acabaram por cair ao longo dos 24 anos de luta”, sublinhou.
Uma década depois da restauração da independência, Taur Matan Ruak garantiu que valeu a pena a luta e que aos timorenses “resta trabalhar muito mais para que o sonho de todos se torne realidade”.
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