Efeito wikileaks | "Como Suharto convenceu os EUA a deixarem-no invadir Timor"

Não há Santos nem Pecadores, são todos uma valente duma CORJA! Mais uma vez, expresso admiração, respeito e enorme amizade para com o valente povo timorense especialmente aqueles que nunca capitularam e que tornaram possível o Timor-Leste de hoje, independente e em paz.

Nota: pelo que se pode ler no último parágrafo, esta notícia será, se tudo correr bem, actualizada.
Um bem-haja a Julian Assange e à WikiLeaks!

Documentos secretos divulgados pela versão indonésia do WikiLeaks mostram como Suharto usou o comunismo para convencer Ford

Gerald Ford e Suharto

O efeito WikiLeaks sente-se em todo o mundo. Agora foi a vez de a versão indonésia – IndoLeaks.org – publicar documentos secretos de 1975 com conversas entre o presidente norte-americano Gerald Ford e Suharto. Nestes, o presidente indonésio tenta convencer os EUA de que invadir Timor-Leste é a única alternativa depois da descolonização portuguesa, usando o perigo do comunismo como argumento.


“O problema é que aqueles que querem a independência [de Timor] são influenciados pelo comunismo. Aqueles que querem a integração na Indonésia estão sujeitos a uma grande pressão por parte dos que são quase comunistas”, aponta Suharto. “Garanto que a Indonésia não quer interferir na autodeterminação de Timor Leste, mas o problema é gerir o processo de autodeterminação com a maioria a querer a unidade com a Indonésia.”


Os dois presidentes tiveram uma reunião a 5 de Julho de 1975 em Camp David, em que também participou o secretário de Estado Henry Kissinger. Daí a cinco meses, a 7 de Dezembro, a Indonésia iniciava a ocupação de Timor-Leste, dez dias depois de Portugal ter declarado a ex-colónia independente. Hoje sabe-se que os EUA tiveram conhecimento prévio da invasão e que os portugueses informaram a administração Ford de que não resistiriam ao “uso da força por parte da Indonésia”.


No entanto, estes novos documentos proporcionam um olhar inédito sobre a forma como Suharto convenceu os EUA a permitirem a incursão em Timor. “Ao auscultar as opiniões do povo timorense, existem três possibilidades: independência, ficar com Portugal ou juntar-se à Indonésia”, diz Suharto. “Com um território tão pequeno e sem recursos, um país independente dificilmente seria viável. Ficar com Portugal é um fardo muito grande, estando Portugal tão longe. Integrarem-se na Indonésia como um país independente não é possível porque somos um Estado unitário. Assim, a única solução é uma integração na Indonésia [não como país independente].”


A reunião serviu também para Suharto pedir ajuda aos EUA para controlar o comunismo no Sudoeste Asiático, através de uma melhoria das comunicações e da marinha e com mais unidades móveis para “suprimir subversões” na região. Ford aceita estudar uma futura ajuda: “Devíamos criar um comissão conjunta para decidir o que é necessário e o que podemos fazer para satisfazer essas necessidades.”


O IndoLeaks disponibilizou ainda um conjunto de telegramas enviado pela embaixada dos EUA em Jacarta, em que é referido um ataque da resistência timorense que matou 18 polícias indonésios no aeroporto de Díli, a 8 de Agosto de 1983. No telegrama é também avançado que a retaliação indonésia provocou 200 mortos na área de Viqueque e são referidas torturas e decapitações de soldados indonésios pela Fretilin. A situação é descrita como “muito tensa”.

IONLINE | por Nuno Aguiar | publicado em 27 de Dezembro de 2010 | actualizado há 13 minutos
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