Fátima Guterres Pinta Timor Ancestral

DO MATO PARA AS ARTES

 

O Sagrado na ancestral arte e cultura de Timor-Leste

Fátima Guterres, ex-combatente contra a ocupação indonésia de Timor-Leste, dá-nos a conhecer as figuras rupestres de Timor, na sua exposição de pintura inaugurada a 24 de Setembro, na Biblioteca Por Timor, em Lisboa.

“O resultado é elegante, estranho e forte, numa singeleza clara”

Combatente das Falintil, Fátima Guterres foi capturada e torturada pelos indonésios no final dos anos 70, libertada pela Cruz Vermelha e trazida para Lisboa. Mas nem por isso a sua militância pela causa e cultura timorenses diminuiu, antes pelo contrário. As artes têm sido uma das suas novas armas. Desde os panos típicos, bordados e desenhos, até à presente exposição de trabalhos em acrílico sobre tela, Fátima não deixa esfriar o seu combate pela memória, preservação e divulgação dos valores mais tradicionais de Timor-Leste.

Pinturas rupestres ocultas reveladas através de um pacto de sangue

“Timor Ancestral”, Nina Suri Lu, é o título da sua colecção de trabalhos que representa pinturas rupestres encontradas nas grutas de Ile Kére Kére, Tutuala, e divulgadas pelo poeta, antropólogo e botânico português Ruy Cinatti (1915-1986), o qual teve acesso a elas através de um pacto de sangue que fez com dois liurais, permitindo-lhe assim conhecer segredos ancestrais como a existência destas pinturas rupestres ocultas.

Em exclusivo a CulturaPALOPsPortugal.com, Fátima Guterres contou: “Quando comecei a ouvir falar nas notícias sobre as pinturas rupestres achadas em Foz Côa, em Portugal, o meu pai comentou comigo que também havia daquilo em Timor. Como não conhecia fui pesquisar e passei a reunir todas as reproduções possíveis. A partir daí fiz este conjunto de telas.”


Natália Carrascalão Antunes: “Eu fiz a luta da resistência no conforto do ar condicionado e da alcatifa, mas a Fátima esteve no terreno!”

A Embaixadora de Timor-Leste em Portugal, Natália Carrascalão Antunes, em conversa com CulturaPALOPsPortugal.com caracterizou Fátima Guterres como “uma lutadora” – “Eu fiz a luta da resistência no conforto do ar condicionado e da alcatifa, no estrangeiro, mas a minha prima Fátima esteve no terreno!”. Natália Carrascalão referiu ainda o permanente apoio da embaixada às artes e cultura timorenses, onde tem em permanência um acervo que irá agora ser engrossado pelas telas de Fátima Guterres. “Qualquer entidade que queira pode dirigir-se à embaixada, que disponibilizaremos as pinturas para exposição. Os timorenses levam a sua identidade cultural muito a sério. Espero ver surgir em Timor-Leste um pintor com reconhecimento internacional, um verdadeiro Picasso de Timor”.

Biblioteca Por Timor

Fátima Guterres maravilhou ainda os convidados presenteando-os com delícias gastronómicas da sua terra, confeccionadas por si própria, entre elas o pão cucus, recheado com amendoim e cozido ao vapor. Falou-nos ainda de outro prato típico timorense, o tukir de cabrito, cozido com os miúdos do próprio animal.

A exposição “Timor Ancestral” continua patente ao público até dia 15 de Outubro, na Biblioteca Por Timor, Rua de São Bento 182-184, frente à Assembleia da República, em Lisboa, de 2ª a 6ª feira das 10:30h às 18:00h e no 1º e 3º sábado do mês. Fátima Guterres aguarda por si (é possível é que já não haja pão cucus…)
(texto e fotos de João Teixeira)
  27th setembro, 2010
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