Dia das Gloriosas FALINTIL

DISCURSO DE S.E.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
JOSÉ RAMOS-HORTA
NO 35º ANIVERSÁRIO DAS FALINTIL
Díli, 20 de Agosto de 2010

Senhor Presidente do Parlamento Nacional
Senhor Primeiro-Ministro
Senhor Presidente do Tribunal de Recurso
Senhor Ex-Presidente Xavier do Amaral
Senhor Ex-Presidente do Parlamento Nacional Francisco Lu-Olo
Senhor Ex-Primeiro Ministro Mari Alkatiri
Senhoras e senhores Deputados
Senhoras e senhores membros do Governo
Senhor Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas
Senhor Comandante-Geral da PNTL
Senhora Representante do Secretário-Geral das NU
Membros do Corpo Diplomático e Consular
Reverendíssimos Bispos
Veteranos das FALINTIL
Ilustres convidados
Excelências
Militares das FALINTIL-FDTL

Nicolau Lobato afirmou, várias vezes, que a nossa vitória era uma questão de tempo. Esta foi sempre a sua confiança profunda no futuro livre do nosso povo.

A história deu razão ao nosso irmão Nicolau, fundador e primeiro líder das Falintil.

Mas a vitória não foi só uma questão de tempo. A nossa vitória foi o resultado da visão de futuro e da capacidade da liderança. Da visão e capacidade de Nicolau e dos líderes que enriqueceram as lições do fundador e continuaram a luta.

Há 35 anos, a nossa terra e o nosso povo viviam momentos de grande perigo. O perigo nascia da instabilidade causada pela crispação e o confronto da guerra fria entre a ex-União Soviética e os Estados Unidos e dos seus efeitos na nossa região. Mas o perigo foi agravado pela divisão entre nós, timorenses.

As Falintil foram criadas para defender o povo. A vida provou que a criação das Falintil foi uma decisão acertada que mostrou grande visão da liderança para alcançar um futuro independente para a nossa Nação.

Foi uma decisão que revelou coragem. E revelou capacidade de decidir bem, num momento muito difícil da nossa história. Na pessoa do nosso irmão Mari Alkatiri, único fundador vivo aqui presente das Falintil, eu honro todos os que tornaram realidade a decisão da liderança e lançaram as Falintil.

Em 1979/1980 e nos anos seguintes, o nosso irmão Xanana Gusmão restaurou as Falintil, quando a resistência corria o risco de desaparecer. A sua inteligência e a sua vontade deram um rumo às Falintil. Quando tudo parecia perdido, Xanana acreditou. A força da sua vontade ajudou os homens e mulheres da resistência a acreditarem também. Na verdade, a nossa vitória foi uma questão de tempo.

Xanana compreendeu que, para a resistência sobreviver, além de reorganizar as Falintil ele tinha de reorganizar a própria forma de resistir. Ele decidiu criar uma nova frente – a frente clandestina – para apoiar a frente militar e a frente diplomática.

Com Xanana, a resistência soube construir a unidade do povo, para além dos partidos. Este combate novo, em três frentes, criou problemas graves aos ocupantes.

A estratégia do nosso irmão mais velho revelou-se a chave para a vitória final. Mas a frente militar, as Falintil, continuaram a ser o centro estratégico da resistência: se não houvesse frente militar, as frentes clandestina e diplomática não teriam a mesma força, nem o mesmo peso.

O nosso irmão Taur Matan Ruak tomou o comando das Falintil e desenvolveu o trabalho de Xanana.

Alguns pensavam que a resistência não recuperava da prisão do nosso líder. Mas a vontade do irmão Taur e a fé e coragem das Falintil não desistiram. Os nossos militares mantiveram a confiança do povo e continuaram a luta – até vencermos.

A boa liderança foi importante mas não foi suficiente.
O êxito das Falintil deve-se também à dedicação e espírito de sacrifício de milhares de militares, ao longo dos 35 anos da sua história. Deve-se aos grandes comandantes e aos humildes soldados.

Deve-se a muitos que faleceram em combate ou com doenças contraídas no campo de batalha, como se deve também a outros, que sobreviveram e estão aqui.
Deve-se a militares como Lere, Falur, Aluk, Trix, Bukar, Sabika, Ular, Daitula e tantos outros.

Como vosso Comandante Supremo, expresso a minha homenagem e o meu respeito por todos os militares das FALINTIL, pelos que deram a vida pela libertação e pelos que estão aqui e vestem orgulhosamente a farda das F-FDTL.

Todos foram importantes para a nossa vitória. Curvo-me humildemente perante a contribuição dos veteranos das Falintil e perante o sacrifício dos mártires. Saúdo as famílias dos militares, veteranos e mártires que hoje nos acompanham, nesta cerimónia e em todos os distritos do país.

Depois da libertação, Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak dirigem a transformação das Falintil numa força de defesa moderna. O general Taur é um dos raros líderes guerrilheiros no mundo que preside à transformação de uma força de guerrilha num exército regular, profissional, moderno.

Mas o processo de transformação tem o consenso da Nação. O seu planeamento foi iniciado por decisão do ex-Primeiro-Ministro Mari Alkatiri, sob tutela do ex-Ministro da Defesa Roque Rodrigues. Foi também apoiado por mim próprio, como Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa do II Governo Constitucional.

Militares das F-FDTL

Da mesma maneira que as Falintil, as F-FDTL existem para defender o povo e o país. Mas para terem êxito nas novas missões que o país vos pede, as F-FDTL têm de operar num ambiente de grande profissionalismo e exigência técnica.

As F-FDTL têm de se preparar para aprofundarem a sua contribuição para a estabilidade e a segurança da nossa região e para o reforço das boas relações do nosso Estado com os Estados da região.

As F-FDTL desenvolvem as suas missões num país livre, democrático e aberto ao mundo, enquanto as Falintil operavam num ambiente fechado e totalitário, que nos era imposto pela ditadura dos ocupantes. Mas em ambas as situações, a disciplina, o sentido de hierarquia, o sentimento de responsabilidade e o espírito de sacrifício são essenciais aos militares e são condição para estes merecerem a confiança do povo.

As prioridades das F-FDTL estão identificadas no Caderno de Orientações Estratégicas Força 20/20. As missões ligadas à Segurança Marítima são uma das prioridades nacionais, quer na fiscalização das nossas fronteiras, quer na nossa cooperação com os vizinhos para a segurança regional. Por isso, erguer e reforçar a componente naval têm um importante investimento do Estado, sempre dependente da necessidade de utilização equilibrada dos recursos do país.

O apoio desinteressado de Portugal foi fundamental para a constituição da componente naval, desde o seu início, e o seu apoio às operações de recrutamento e à formação do corpo de oficiais das F-FDTL contribui positivamente para desenvolver e modernizar as nossas forças.

O objectivo de construir e aprofundar relações de confiança com os países vizinhos tem tido resultados positivos. O recente exercício militar naval realizado com em conjunto com as marinhas norte-americana e australiana é um exemplo positivo do contributo das F-FDTL para o esforço nacional de integração regional e boa vizinhança.

Ainda quanto à Segurança das fronteiras, as F-FDTL vão continuar a melhorar os seus meios operacionais e logísticos no âmbito da fronteira terrestre, numa perspectiva complementar em relação à função da nossa polícia nacional.

As F-FDTL devem investir na sua capacidade técnica na área da engenharia. O enriquecimento das competências militares nesta área será um contributo importante para missões civis do Estado, seja no apoio a projectos de desenvolvimento, seja em missões de emergência de protecção civil, socorro ou apoio humanitário.

Também deve ser dada prioridade às competências para participação das F-FDTL em operações de apoio à Paz – a nível regional e internacional. As nossas forças devem participar de forma positiva na projecção pacífica do Estado, contribuindo para a estabilidade e a paz.

Para desempenhar as missões que o país espera das Falintil-FDTL, o Estado terá de continuar a investir fortemente na formação dos nossos militares.

Após a libertação, as Falintil-FDTL têm sido um grande exemplo de subordinação ao poder político democraticamente eleito e de respeito da Constituição da nossa República. Sob a direcção do poder político, o comando das F-FDTL e os seus militares têm dado contributos positivos, em vários momentos, para a paz e a estabilidade da sociedade.

O apartidarismo, a subordinação ao poder civil e o contributo para a estabilidade do país reforçam o respeito e a confiança que o povo se habituou a ter nos militares das F-FDTL.

Estou convencido de que o nosso governo e todo o Estado continuarão a empenhar-se em aprofundar a formação dos nossos militares porque é da qualidade das mulheres e homens fardados que depende o serviço que prestam ao nosso povo.

Militares em parada: vocês são herdeiros de um passado de que podem sentir orgulho. Como vosso comandante supremo peço a todos trabalho, dedicação e sacrifício para continuarem o trabalho iniciado pelos mais velhos e merecerem o respeito e admiração do povo.

Vivam as Falintil-FDTL!
Viva Timor-Leste!

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