Parabéns Xanana Gusmão …

O conteúdo deste post vem por inteiro daqui e deve-se também por inteiro a Maria Salette Santos.

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“Viva Timor Lorosae”- foto tirada a 22 de Outubro de 1999, em Dili quando Xanana voltou livre a Timor Leste e discursava perante uma multidão emocionada, mas jubilante!

“Resistir é vencer”

Biografia de Xanana Gusmão – O Lider, o Homem e a Pátria !

20 de Junho de 1946 – nasceu José Alexandre Gusmão – Kay Rala Xanana Gusmão,em Laleia (Manatuto) filho de Manuel Gusmão. Aprendeu o Português na infância com seu pai que além de ser Português era também professor em Timor.

1954 a 1957 frequentou a escola primária Santa Teresa, em Ossu, Viqueque, uma zona rural de Timor Leste de dificil acesso. Xanana assistiu a prisioneiros serem “limpos” de postos administrativos e obrigados a trabalhos pesados pelo Governo Português. Nos anos 50 gerou-se um descontentamento a larga escala contra o Governo Português. Viqueque, não tinha electricidade, água canalizada ou assistência médica.

1959 a 1962 estudou no seminário Nossa Senhora de Fátima, em Dare, nas montanhas, avistando Dili. Seminário dirigido pelos padres jesuítas e depois no Liceu Dr. Francisco Vieira Machado de Dili. Foi bom em desporto e praticou ginástica, jogou futebol, basketeball e volley. Desde o principio que foi absorvido pela poesia, mas também tinha “queda” para politica. Teve como colegas de estudo muitos dos futuros leaders politicos de Timor Leste, tais como Francisco Lopes da Cruz, Xavier do Amaral e Nicolau Lobato.

1962 a 1964 deixou o seminário e começou então a ter vários empregos em Dili, mas continuando a estudar à noite para acabar o Liceu.

1965 conheceu a sua futura mulher Emilia Batista, tendo Xanana nessa altura 19 anos.

1966 começou a trabalhar na Administração Pública, mas continuando na mesma os seus estudos.

1968 Xanana foi recrutado para o Exército Português aonde serviu 3 anos de serviço militar, onde chegou a Cabo

Em 1970, casou-se com Emília Gusmão, num registo civil depois de ter “insultado” os padres! Continuou a trabalhar e a estudar. Teve dois filhos: Eugénio Paulo Gusmão ( Nito) em 1971 e Zenilda Emilia Gusmão em 1975.

1971 nasceu o filho Eugénio Paulo Gusmão (Nito). Acabado o serviço militar, voltou a trabalhar na Administração Publica e a estudar. Xanana juntou-se a organização nacional anti-colonialista, fundada por Ramos Horta, Mari Alkatiri e Abilio Araujo. Cada vez mais mostra a sua decepção com a Administração Pública e com o injusto sistema colonial.

1974 Xanana ganhou o Prémio de Poesia de Timor Leste com o poema chamado “Mauberedias” inspirado nos Lusiadas de Luis de Camões.

Abril de 1974, como resultado da Revolução em Portugal houve muitas prisões politicas. Xanana tentou adquirir empréstimo do Governo para se iniciar como fazendeiro. Tal empréstimo não lhe foi concedido ficando zangado e desiludido deixa o emprego na Administração Publica. Xanana mudou-se para Darwin, porque tinha decidido emigrar para a Austrália com a familia e volta a Timor para buscar a sua familia para a Australia… o que não chegou a acontecer devido ao seu grande envolvimento politico.

Maio de 1974 a descolonização de Timor começou com o Governador a anunciar eleições gerais e pede para formarem partidos politicos.

Maio de 1974, formou-se a ASDT ( Associação Democrata Timorense). Defendia a independência imediata e viria mais tarde mudar de nome para Fretilin.

Depois do 25 de Abril de 1974, Xanana trabalhou no jornal A voz de Timor e tornou-se militante da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente). “Resistir é vencer”

12 de Setembro de 1974 nasceu a Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente ( FRETILIN). Os ensinamentos politicos deste partido, vinham de leituras de obras de autores como Soeiro Pereira Gomes, Marx e Mao Tse Tung. O manual e programa politicos da Fretilin, foram redigidos por Abilio Araujo que aderira ao partido também nesse Setembro. O partido exigia a imediata independência, com radicais mudanças na estrutura social e económica do território. O seu programa chamava para a imediata participação dos Timorenses no Governo, um fim da discriminação racial e uma ofensiva contra a corrupção. Juntamente com a UDT fez campanha pela independência, mas os elementos mais radicais foram atraidos pelo aumento de politização do Povo Timorense.

Outubro de 1974 a Indonésia começou uma operação de destabilização, incluindo emissões de rádio através da fronteira em Timor Oeste.

1975 Xanana começou a trabalhar como electricista (mecânico). Houve noticias de mais de 20.000 grandes manifestações politicas

Janeiro de 1975, Ali Murtopo, chefe dos Serviços de Informação, com objectivo de provocar rutura na coligação entre a Fretilin e a UDT, desencadeia propaganda contra a Fretilin e exerce pressão sobre a UDT. Estava “criado o futuro clima de guerra civil”… os partidos não “se entendiam”…

Marco de 1975 começaram as Eleições Gerais.

26 de Maio de 1975 desfez-se a aliança entra a Fretilin e a UDT e a Fretilin tomou o quartel-general de Dili. Sete dias mais tarde as tropas portuguesas fogem para Atauro tal como o Governador Lemos Pires que ao aperceber-se da gravidade da situação, abandona o controle do território.

Julho de 1975 nas eleições locais sob ordens do comité de descolonização, 90% dos novos eleitos “Luiraisare” eram membros da Fretilin ou apoiantes.

11 de Agosto de 1975 UDT tentou um golpe e tomou partes estratégicas de Dili.

15 de Agosto de 1975 Fretilin começou uma luta armada para combater o golpe da UDT.

17 de Agosto de 1975 Xanana foi preso no Quartel General da Fretilin e encarcerado em Palapaco.

20 de Agosto de 1975 Fundou-se a Falintil. Lutas começaram no interior de Timor.

27 de Agosto de 1975 o Governador Lemos Pires retirou-se para Atauro. 20.000 refugiados fogem para Atambua e são mantidos em campos de refugiados pelos Indonesios

Setembro de 1975 a FRETILIN finalmente tem controle do País e UDT prisioneiros, incluindo Xanana, foram libertados. Xanana criou o jornal “Timor Leste: Jornal do Povo Maubere” e começou como Vice-Secretário da Fretilin. Xanana tinha um papel chave inicialmente no Departamento de Informação e mais tarde depois da sua eleição para o Comité Central da Fretilin. Falintil foi fundada nessa altura.

Outubro de 1975 Indonésia começou a atacar através da fronteira com Timor Oeste.

16 de Outubro de 1975 – 5 jornalistas foram assassinados em Balibo. Xanana disponibilizou-se como voluntário para o serviço na fronteira.

28 de Novembro de 1975 a Fretilin declarou unilateralmente a independência e chegou a constituir Governo. Xavier do Amaral era o Presidente da República, Nicolau Lobato, Primeiro Ministro, Ramos Horta, Ministro das Relações Exteriores e Informação, Mari Alkatiri, Ministro de Estado dos Assuntos Económicos e Sociais. Os adeptos dos partidos contrários à Fretilin refugiaram-se no lado Ocidental de Timor, na provincia indonesia de Nusa Tengara Timur.

30 de Novembro de 1975 Xanana atravessou a fronteira para colher informação acerca dos movimentos das tropas Indonesias. UDT , a Apodeti e o Kota assinaram a declarção de “Balibo”, onde pedem a integração de Timor na Indonesia. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Indonésio Adam Malik formalmente declarou que Timor Leste tinha sido integrado na Indonesia.

A 7 de Dezembro de 1975 Indonésia invadiu à força Timor Leste, com o pretexto de acabar com a guerra civil. A operação envolveu cerca de 40.000 militares indonesios. Quando do ataque a Dili pelas tropas Indonesias, Xanana estava perto da Fronteira de Timor-Indonesio, sem qualquer contacto com a familia que se encontrava em Dili… nos dias seguintes ele foi de Balibo ao Quartel General com Nicolau Lobato e depois aos arredores de Dili à procura da sua familia… o Leader da Resistência nunca mais se encontrou com a familia ( tendo sua mulher com os filhos emigrado para a Australia em 1989). Xanana deslocou-se à zona da fronteira para colher informação acerca dos movimentos das tropas Indonesias. Enquanto voltava a Dili, nas montanhas acima da cidade, Xanana testemunhou toda a invasão de Timor, pelos Indonesios, uma forte escalada, por via aérea e mar. Pensa-se que cerca de 10% da População – 60.000 pessoas – foram mortas só nos primeiros 2 meses. George Aitjondro (Académico Indonésio) que revelou papéis do periodo de invasão, deu indicadores que as forças de invasão, usaram “napalm” and “Agent Orange” de aviões fornecidos pelos US. Os dirigentes da Fretilin foram obrigados a retirarem-se para os paises estrangeiros. Em Timor Leste, homens como o Xanana e MaHuno refugiaram-se nas montanhas.

11 de Dezembro de 1975 Ramos Horta chegou as Nações Unidas em Nova York.

12 de Dezembro de 1975 as Nações Unidas condenou a invasão de Timor levada a cabo pela Indonesia.

17 de Dezembro de 1975 o Governo Pró-Indonesio de Timor Leste ficou a funcionar num barco de guerra.

22 de Dezembro de 1975 o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou a invasão.

25 de Dezembro de 1975 – 15.000 a 20.000 reforços militares indonesios desembarcam em Timor Leste.

Janeiro 1976… A horrivel invasão levada a cabo pela Indonesia deixou a Fretilin dizimada. Xanana, que estava encarregado das zonas orientais da ilha de Timor, encontrou-se com meia dúzia de resistentes, sem comunicação ou ideia alguma de quem tinha sobrevivido. Refugiou-se nas montanhas de Timor e juntamente com mais 2 sobreviventes, Serakey e Mau Huno, e começou o dificil processo de reagrupamento. Atravessava as montanhas a pé desde Mota Ulun ate Manatuto.

Fevereiro de 1976 Lopes da Cruz, Presidente do Governo Provisório de Timor Leste e antigo leader da UDT, anunciou que 60.000 Timorenses tinham sido mortos desde a invasão.

Maio de 1976 Xanana assistiu ao encontro histórico da resistência em Soibada e é destacado para as zonas de Leste.

31 de Maio de 1976 uma “Assembleia Popular” de Timorenses “organizada” pelos militares indonesios aprovou a petição dirigida aos Presidente Suharto, pedindo para a integração total na Indonesia.

Novembro de 1976 como resultado desta ocupação 100.000 Timorenses foram mortos.

Dezembro de 1976 Xanana assistiu a uma reunião politica, na escola em CASCOL e começou a ler o “Pequeno Livro Vermelho” de Mao.

Maio de 1977 as Forças da Fretilin anunciaram que controlavam mais de 80% do território.

Setembro de 1977 primeiro passo da Campanha Indonesia de aniquilação.

28 de Novembro de 1977 a Assembleia Geral das Nações Unidas rejeitou a integração e pediu a independência.

Dezembro de 1977 Xanana passou a ser o Comissário Politico substituto na Ponta Leste, com Manecas Ma’Huno como Comandante militar.

6 de Abril de 1978 Tenente General Yusuf foi apontado Comandante Chefe das Forças Armadas Indonesias. Ele declarou que a resolução de Timor Leste era uma das suas prioridades.

Maio de 1978 segundo passo da Campanha de Aniquilação Indonesia.

Setembro de 1978 Xanana supervisionava uma marcha da população que fugia de leste para o Monte Matebian.

20 de Novembro de 1978 a Assembleia Geral das Nações Unidas pediu às tropas indonésias para se retirarem e um conduzir a um acto de auto-determinação.

22 de Novembro de 1978 cerco e queda do Monte Matebian, a última base da resistência nas montanhas.

31 de Dezembro de 1978 véspera de Ano Novo, o Presidente Nicolau Lobato (morto a 31 de Dezembro), leader da zona leste, Vicente Sahe e outros, morreram em combates. Isto significou o fim de resistência inicial, morria em combate a liderança. Xanana fugiu do Monte Matebian e volta a leste. Após a morte de Nicolau Lobato, presidente da Fretilin, Xanana Gusmão assume, em condições de extrema fragilidade, a luta armada de Timor-Leste e adopta a formação de guerrilhas.

1978 -1979… durante os combates, Xanana mostrou uma capacidade notável de repensar toda a orientação da luta de resistência. Após concluir a reconstrução das Falintil compreendeu que já não bastava considerar a luta como sinónimo de Fretilin. Tinha havido um grande debate no seio dos dirigentes sobreviventes da Fretilin e das Falintil sobre as causas e consequências da derrocada militar, e a ideia de formar um novo Conselho Revolucionário de Resistência Nacional (CRRN) como organismo supremo da resistência já tinha sido levantada numa reunião de comandantes em Março de 1979.

13 de Dezembro de 1979 Assembleia Geral das Nações Unidas passou a resolução condenando a ocupação Indonesia e pedindo um acto de auto-determinação.

1979 Serakey foi também morto enquanto tentava ligações com a Fretilin no sector central. Xanana desenha um novo plano baseado na mobilização e apoio e assistência por parte das populações .

1979 – 1980 a reorganização das estruturas de resistência começaram. Xanana caminhou de aldeia em aldeia para consultar o povo acerca da continuação ou fim da guerra e para contactar alguns resistentes que tivessem sobrevivido. Recebeu a resposta para continuar. Organizou um grupo pequeno clandestino independente de unidades e bases.

10 – 11 de Junho de 1980 as forças da resistência organizam um ataque a Dili.

1981… para facilitar a reorganização do movimento e defenir a ideologia das novas lutas Xanana escreveu 2 relatórios “Pátria e Revolução” e “Temas de Guerra”.

Marco de 1981, realizou-se a conferência de Maubai, tendo Xanana como um dos principais impulsionadores que lançou as bases da reorganização político-militar da resistência. Assim, é criado o Conselho Revolucionário de Resistência Nacional (CRRN) do qual Xanana é eleito presidente, ao mesmo tempo que é nomeado Comandante em Chefe das Falintil, as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor Leste. Xanana foi um dos poucos elementos da direcção da Fretilin que conseguiu sobreviver às campanhas militares indonésias de “cerco e aniquilamento”.

1981 as forças militares da Indonesia desencadearam a “Operação Final” . A resistência sobreviveu heróicamente às grandes ofensivas da Indonesia e continuou a sua reconstrução. Esta vitória foi conseguida devido a pouca consistência dos documentos dos militares indonesios e ao apoio recebido por parte do Povo.

Setembro de 1981 cerco e massacre ao Monte Aitana e Lacluta. Falta de comida e fome é comunicado internacionalmente.

24 de Outubro de 1981 a Assembleia Geral das Nações Unidas repetiu os seus pedidos para a auto-determinação.

1982 Xanana recomeçou as comunicações com a resistência fora de Timor, as Nações Unidas, Grupos de Direitos Humanos e Diplomatas.

4 de Maio de 1982 eleições realizadas em Timor Leste deram 98.8% dos votos ao partido Golkar.

3 de Novembro de 1982 Assembleia Geral da Nações Unidas mais uma vez condenou a anexação e pediu um acto de auto-determinação. O Secretário Geral deu instruções para se iniciarem discuções com todas as partes interessadas.

1983 durante os anos 80 Xanana fez várias tentativas para encontrar uma solução pacifica com os invasores Indonesios. Com as tropas Indonesias negociaram o cessar-fogo e em Março chegaram a acordo com a zona de cessar fogo. Mas em Agosto o massacre de Kraras foi o sinal para o fim do cessar fogo. E em Setembro foi declarado um estado de emergência e uma nova ofensiva indonesia é lançada.

1984 a operação levada a cabo e as suas consequências convenceu Xanana a cessar as operações o que poderia levar os Indonesios a fazerem represálias na população civil como em Kraras.

25 de Julho de 1984 o Secretário Geral das Nações Unidas confirmou que pouco progresso foi atingido nas negociações entre Indonesia e Portugal. Discuções foram adiadas.

Durante os anos 80 muito dos seus compatriotas foram mortos e Xanana fez várias tentativas para fazer acordos de paz com a Indonesia invasora. Começaram a aparecer movimentos civis e de estudantes de resistência clandestinos em Timor Leste, mais própriamente em Dili, mas também dentro da Indonesia. A geração de jovens Timorenses cresceu sob a ocupação Indonesia e viam Xanana Gusmão como um Leader carismático da resistência nacional.

18 de Agosto de 1985 o Primeiro Ministro Australiano Bob Hawke, em representação do seu Partido trabalhista, reconheceu a soberania da Indonesia em Timor Leste.

24 de Setembro de 1985 mais uma vez foram adiadas nas Nações Unidas as negociações entre Portugal e Indonesia.

9 de Dezembro de 1985 os Governos Australiano e Indonesio anunciaram que se iam juntar na exploração de petroleo em Timor Leste… estava criado o Timor Gap.

31 de Marco de 1986 Fretilin e a UDT anunciaram a formação de uma Coligação.

4 de Setembro de 1986 em Lisboa o novo Governo Social Democrata eleito anunciou que desistia do pedido de auto-determinação para Timor Leste.

1987 a 1988 na reorganização da estrutura da resistência, Xanana declarou as Falintil exército nacional apartidário. Em 1988 ele deixou de ser membro do partido politico Fretilin, acreditando que a luta pela independência de Timor Leste transcêndia as lealdades politicas.

Fevereiro de 1988 o Governo Indonesio convidou Portugal a mandar uma missão de observadores a Timor Leste.

Novembro de 1988 Suharto visitou Timor Leste e anunciou que em Janeiro 8 dos 13 distritos de Timor Leste seriam abertos a entrada de Indonesios e estrangeiros.

31 de Dezembro de 1988 foi formado um novo orgão director da resistência, o Conselho Nacional de Resistência Maubere (CNRM), presidido por Xanana Gusmão. Foi também nesta altura que Xanana abandonou a Fretilin e tenta, a todo o custo, transformar a luta de libertação numa causa nacional, lutando sempre pela defesa da auto-determinação do território.

15 de Julho de 1989 Uma ofensiva militar rápida foi levada a cabo antes da visita do Papa. O seu principal objectivo era capturar Xanana.

5 de Outubro de 1989 Xanana escreveu uma mensagem – Timor Leste, Um Povo, Uma Nação : ” Seja no Tibete ou Polónia, nos Paises Balticos ou no Pacifico Sul, em Africa ou nas Caraibas, está demonstrado que a força e a repressão nunca puderam sufocar por completo o que constitui a própria razão de ser de cada povo: o orgulho de ser ele mesmo; a capacidade de poder preservar, sem restrições tudo quanto o identifique como tal; a liberdade de transmitir tudo isso as gerações vindoras; em sumula, o direito de gerir o seu próprio destino.”

Outubro de 1989 o Papa João Paulo II visitou Timor Leste e uma enorme manifestação em Dili foi sinais do principio de uma fase politica de manifestações organizadas pelos movimentos de juventude resistente.

11 de Dezembro de 1989 os governos da Austrália e da Indonésia assinaram um tratado para explorar a área do Timor Gap.

17 de Janeiro de 1990 o Embaixador dos Estados Unidos encontrou vários grupos de manifestantes em Dili. Eles são violentamente dispersos e depois da sua partida pelo menos 2 foram mortos.

Setembro de 1990 Robert Domm, jornalista entrevistou Xanana Gusmão, nas montanhas no acampamento de Ainaro. As reportagens e os relatórios são publicados internacionalmente e Xanana passou a ser conhecido pela primeira vez pelo mundo. Isto levou a represálias.

Fevereiro de 1991 Xanana viajou de Ainaro até a zona de Dili e quase que foi capturado. Passou a viver refugiado num local secreto e subterrãneo. Xanana não podia viajar pelo território.

fins de 1991 a Resistência começou os preparos para receber a Delegação Parlamentar Portuguesa e planeavam uma cerimónia formal.

fins de Outubro de 1991 – 2 jovens manifestantes foram mortos por protestarem o cancelamento da Delegação Parlamentar Portuguesa.

12 de Novembro de 1991 dia do massacre de Santa Cruz. Centenas de Timorenses dirigiram-se ao cemitério de Santa Cruz numa marcha fúnebre pacifica, por aqueles que tinham morrido nas demonstrações. 371 pessoas foram mortas e 382 feridas e 250 nunca foram encontradas ( estes acontecimentos foram vistos a volta do mundo). Xanana não esperava esta reacção das forças indonesias, embora esperasse alguma, ficou abalado com os acontecimentos e mais uma vez pensou ” na nossa guerra nós temos que acreditar que os que morreram, cumpriram a sua missão, o seu dever “. Xanana aumentou as suas idas às povoações controladas pelos indonésios, ciente dos riscos que essas movimentações comportavam.

Fevereiro de 1992 os militares indonésios em Timor Leste anunciaram que Xanana estava doente e que a rendição se aproximava. Dias depois em Sydney a UDT através de João Carrascalão, confirmou a doença de Xanana, mas negou qualquer ideia de rendição. Ainda em Fevereiro apoiantes de Xanana mostraram indignação pela falta de acção da Comunidade Internacional perante os acontecimentos do massacre de Santa Cruz.

Setembro de 1992 Abilio Osório Soares passou a ser o último Governador de Timor Leste indicado pela Indonesia indo substituir Mário Carrascalão .

20 de Novembro de 1992 Xanana foi capturado nos arredores de Dili . Um informador anónimo avisou a policia indonesia da sua presença na casa da mãe de Abilio Araujo. Não tardou muito para que um grupo de 21 soldados invadisse a residência e capturasse o lider Timorense. Com ele foi apreendido material contendo informações sobre membros da resistência, identificados pelos nomes próprios e localidades a que pertenciam . Esta apreensão foi um verdadeiro golpe na estrutura da resistência, que se viu obrigada a contar com apoios e voluntários. Muitos outros foram presos também, incluindo os que o escondiam e membros da sua familia. Xanana é mantido incomunicável durante dezassete dias.

Dezembro de 1992 a Indonesia “divulgou o seu golpe psicológico” para atingir os apoiantes da resistência timorense. Xanana apareceu na Televisão Indonesia afirmando que a luta tinha acabado. Xanana aparece em vídeos gravados pelos seus carcereiros, aonde “tem uma conversa informal” com Abilio Osorio. Nessa conversa o lider Timorense renegava todas as suas crenças ideológicas e pedia desculpa as autoridades pelo que tinha feito. Apelava também aos seus companheiros de luta que se entregassem. A Indonésia quer espremer até à última gota o sumo da sua vitória e anuncia um julgamento público. Este video foi alvo de mesas redondas em Televisões Internacionais . Uma das vozes que se fez ouvir de imediato foram a do Bispo D.Ximenes Belo que disse ” Ele fala de maneira diferente daquela que eu conheço”… e a de Ramos Horta que disse ” Foi o corolário de torturas inimagináveis e aplicação de produtos quimicos no corpo do lider de Timor”.

13 de Janeiro de 1993 Xanana começou a ser julgado num Tribunal em Dili. Algumas organizações de juristas nacionais e internacionais ofereceram ao lider Timorense os seus serviços. A Fundação Indonesia de Apoio Juridico, em resposta ao apelo feito por familiares de Xanana, disponibilizou-se, mas Xanana recusou a oferta. No entanto as autoridades de Jacarta recusaram que a defesa fosse feita por qualquer jurista estrangeiro, argumentando que a legislação não o permitia. Foi nomeado como defensor oficioso Sudjono, um advogado indonesio de Dili que tinha defendido um ano antes Agapito Cardoso. As acusações são de Separatismo, conspiração contra o estado indonesio e posse ilegal de armas. Até ao final do seu julgamento foram poucos os acontecimentos que mudaram a rotina do julgamento nos tribunais indonesios de Dili.

inicio de Fevereiro de 1993 o defensor oficioso Sudjono questionou a competência do tribunal de Dili para efectuar o julgamento. A Fretilin já existia quando da anexação de Timor Leste, por outro lado os guerrilheiros da Resistência nunca tinham reconhecido a jurisdição do tribunal de Dili. Mas o julgamento continuou dias depois com a audição de testemunhas. Xanana ouviu-as com aparente apatia. Aceitou todas as responsabilidades que lhe eram impostas, confirmando a posse de armas. Mas Xanana não se deixou abater… e já tinha pedido aos jornalistas que esperassem até ao fim do julgamento. Xanana, Lider da Resistência Timorense insistiu em fazer a sua própria defesa, dispensando os serviços do seu advogado. E aqui a emoção acende-se. Voltou a aparecer o resistente, o lider, o grande lider que se apresentou como “Comandante das FALINTIL, as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor Leste”. Foi interrompido pelo juiz, mas conseguiu enviar uma cópia da sua defesa para o exterior. O Julgamento e a prisão agitam a questão de Timor Leste e são inumeras as entidades que intervêm a favor de Xanana, incluindo a Igreja de Timor.

19 de Maio de 1993 Xanana foi condenado no Tribunal de Dili. O juiz Hieronymus Godang condenou-o a prisão perpétua numa prisão de delito comum. Depois da leitura da sentença houve quem o ouvisse murmurar ” Viva Timor-Leste” antes de desaparecer por detrás dos guardas. Foi de imediato levado para uma prisão de delito comum. Mas O Lider das FALINTIL sabia que não se podia deixar cair no esquecimento e no isolamento . Continua a lutar e inicia uma greve de fome ( aqui os seus carcereiros tê-lo-iam obrigado a comer, mantendo então um protesto de greve de silêncio), conseguindo ser transferido para a prisão de Cipinang, em Jacarta, onde estavam os presos politicos indonesios e timorenses, quebrando assim o isolamento ao qual a Indonesia gostaria de o ver confinado. Em Cipinang, Xanana tornou-se numa “figura importante” e recebeu vários prémios, visitas de altas individualidades e aproveita o tempo que dispõe para dar largas ao seu talento e imaginação, a literatura e a pintura. Tudo isto conseguindo manter o poder e o carisma que o consagraram como lider da resistência timorense.

20 de Julho de 1993 o Governo Indonesio permitiu as conversações entre os pró e anti-integracionistas . Os Pró foram conduzidos pelo antigo lider da UDT, Lopes da Cruz.

Agosto de 1993 Suharto cedeu às pressões internacionais e comutou a pena de prisão perpétua para 20 anos de prisão.

Dezembro de 1993 Pro e Anti-Integracionistas começaram as conversações.

7 de Dezembro de 1993 na prisão de Jacarta Xanana gravou uma mensagem para o exterior

18 de Janeiro de 1994 durante a noite o serviço em português da BBC, transmitiu a mensagem gravada a 7 de Dezembro de Xanana Gusmão. Nessa mensagem Xanana considerava que “as Falintil não tem capacidade para vencer militarmente, mas a Indonesia também não pode vencer politicamente em Timor Leste”. Ele terminava apelando a continuação da luta armada em Timor Leste.

1994 – Apesar de estar preso, Xanana demonstrou as suas qualidades de pintor e de escritor – publicou o livro ” Timor-Leste- um povo, uma pátria” – e continuou também a coordenar a acção da resistência, no interior e a nível diplomático. Muitas foram as entidades a reconhecer o seu valor, e a prestar homenagem. Apesar de estar preso nunca deixou a luta pelos direitos do povo timorense. Escreveu cartas que se tornavam publicas através de Ramos Horta, os apelos que lhe foi permitido fazer pelos orgãos de comunicação fizeram com que o Governo Português e a Comunidade Internacional não se esquecessem do povo timorense e que não deixassem de lutar. O governo indonesio foi um dos alvos principais de Xanana. Um apelo pela libertação dos presos politicos, era o desejo de Xanana para se assim poder concretizar a reforma total exigida pelo povo indonesio.

– Jovens resistentes começaram a campanha em Embaixadas estrangeiras em Jacarta.

24 Janeiro de 1994 Xanana foi visitado, na cadeia de Cipinang pelos enviados especiais das Nações Unidas para Timor Leste, Tamrat Samuel e Francesco Vendrell, para prepararem a segunda ronda de negociações entre Indonesia Portugal. Xanana ficou proibido de receber visitas depois de ter escrito uma carta de protesto.

Fevereiro de 1994 Xanana e e o Bispo Belo responderam negativamente a ideia de “conversações para a reconciliação”.

Julho – Setembro de 1994 Xanana aceitou encontrar-se com militares indonesios.

Setembro de 1994 em Melbourne, Australia, um dos quadros pintados por Xanana Gusmão, pintados em Cipinang foram leiloados para angariar fundos para a resistência.

17 de Novembro de 1994 Autobiografia e outros escritos foram publicados em Portugal.

12 de Novembro de 1994 – 29 estudantes timorenses entraram na Embaixada dos Estados Unidos durante uma reunião da APEC.

14 de Novembro de 1994 o Presidente Clinton falou com Suharto com firmeza acerca dos direitos humanos em Timor Leste.

Janeiro de 1995 Indonesia e Portugal permitiram às Nações Unidas a ter conversações entre os Timorenses.

Maio de 1995 Xanana foi hospitalizado com problemas de rins.

Junho de 1995 Primeiro Encontro Para Conversações entre os Timorenses (AIETD)

Julho de 1995 metade dos Timorenses que assinaram a Declaração de Balibo arrependeram-se de o ter feito e voltam atrás.

Agosto de 1995 Xanana foi posto em “silêncio” por ter escrito uma carta a Conferência Mundial das Mulheres em Beijing .

Dezembro de 1995 John Pilger publicou internacionalmente uma entrevista com Xanana. O Governo Indonesio não acreditou na sua autênticidade.

29 de Fevereiro de 1996 Reunião entre o Presidente Suharto e o Primeiro Ministro Português António Guterres. António Guterres anunciou muito interesse em abrir ” Interest Section” em troca da libertação dos prisioneiros incluindo Xanana.

19 – 22 Marco de 1996 o balanço do Segundo Encontro entre Timorenses, não incluia pedidos da resistência externa nem a liberdade de Xanana.

20 de Junho de 1996 Xanana fez 50 anos.

27 de Junho de 1996 oitava vez que Indonesia e Portugal reuniam. Unica resolução foi construir um Centro Cultural Timorense em Dili.

Outubro de 1996 o Senado Australiano passou por unanimidade uma moção de apoio à auto-determinação de Timor Leste.

Novembro de 1996 Jose Ramos Horta e o Bispo D.Ximenes Belo, receberam o Prémio Nobel da Paz. Quando D.Ximenes Belo regressou a Dili deparou-se com milhares de Timorenses à sua espera, para lhe desejarem as boas vindas.

22 de Marco de 1997 Xanana encontrou-se outra vez com o enviado das Nações Unidas Jamsheed Marker.

Abril de 1997 Xanana pediu um Referendo para Timor Leste.

Julho de 1997 Nelson Mandela visitou Xanana e tiveram uma reunião secreta.

Agosto de 1997 Presidente Nelson Mandela recomendou que Xanana fosse libertado.

Outubro de 1997 Terceiro encontro apoiado pelas Nações Unidas entre os Timorenses.

Janeiro de 1998 Xanana propôs a criação do CNRT ( Conselho Nacional da Resistência Timorense), em coligação com a UDT, cujo presidente era João Carrascalão. A este orgão competiria a articulação de várias instituições partidárias, sociais e culturais, e do conselho politico Nacional, na qual se aprovariam então estratégias politicas e diplomáticas. O objectivo deste Conselho seria fazer de Timor um território livre e independente, sem forças armadas, com um sistema parlamentar multipartidário, uma economia de mercado e uma constitução que salvaguarde o respeito pelos direitos humanos. O Português seria a lingua oficial e Timor desejaria integrar-se na Comunidade dos Paises da Lingua Portuguesa.

Abril de 1998 Xanana, na prisão conseguiu reunir todas as forças politicas, culturais e sociais do seu povo, na primeira Convenção de Timor Leste. Em Lisboa na Convenção Nacional Timorense, acordou-se a criação do CNRT – Conselho Nacional da Resistência Timorense para subsituir o CNRM – Conselho Nacional da Resistência Maubere. O CNRT, uma organização nacional , e não partidária. Esta seria a nova face para a resistência Timorense. Conseguiu juntar diferentes organizações nacionais politicas e elegeram unânimemente Xanana Gusmão como Presidente. Este Conselho comportava vários porta-vozes. Em Portugal foi Roque Rodrigues o representante e o porta-voz do interior foi Manuel Carrascalão.

Maio de 1998 Suharto demitiu-se no seguimento de pressões feitas pelos estudantes democratas e do povo da Indonesia.
O novo Governo permitia o acesso a Xanana. Jornalistas Ocidentais foram permitidos entar na Cadeia de Cinipang para entrevistarem presos politicos pela primeira vez. Na entrevista com Xanana, ele confessou que não tinha grande fé na administração de Habibie, mas era um passo em frente para a liberdade de Timor Leste. Jose Ramos Horta levou os Timorenses e Comunidade Internacional a pediram a libertação imediata de Xanana Gusmão.

Junho de 1998 o Presidente Indonesio Habibie”ofereceu” e “garantia” um estatuto especial a Timor Leste, mas isto foi rejeitado pelos movimento pro-independência.

12 de Junho de 1998 mais de mil manifestantes de Timor Leste fizeram uma marcha na capital da Indonesia, Jacarta e pediram um referendo para a independência do seu território. Também foi feita uma grande pressão internacional sobre o Governo Indonesio.

Agosto de 1998 um representante da BHP teve uma reunião secreta com Xanana. Nesta reunião Xanana reafirmou a BHP que Timor Independente iria respeitar os direitos da companhia exploradora do petroleo no mar de Timor.

5 de Agosto de 1998 Portugal e a Indonesia acordaram negociar uma base que levasse à autonomia de Timor Leste sob a supervisão do Secretário Geral das Nações Unidas.

20 de Novembro de 1998 Portugal suspendeu as negociações sobre Timor Leste com Jacarta quando teve conhecimento de um massacre.

Janeiro de 1999 de repente a Australia mudou a sua politica em relação a Timor Leste sobre a sua auto-determinação.

10 de Fevereiro de 1999 Xanana foi transferido da sua cela na Prisão de Cinipang, Jacarta, para uma “casa prisão ” num suburbio de Jacarta (Salemba). Ele alertou acerca de possivel violência e pediu para o envio de uma força Internacional de paz, mas mesmo assim concordou com o referendo.

19 de Fevereiro de 1999 em Dili milhares de pessoas assistiram ao funeral de um jovem de 25 anos morto durante um incidente entre os grupos pro-independente e os juventude pro-indonesia..

3 de Marco de 1999 o Presidente Indonesio Habibie anunciou que se “num processo de cunsulta”, a maioria dos Timorenses rejeitassem autonomia a favor da independência, a Indonesia garantia a independência. Xanana começou a pedir o cessar-fogo, desarmamento e a redução efectiva das tropas indonesias em Timor Leste.

5 de Marco de 1999 Portugal e a Indonesia e as Nações Unidas concordaram levar a cabo uma “consulta Popular” ao povo Timorense sobre a autonomia e as Nações Unidas estabeleceram a Missão das Nações Unidas, UNAMET, para organizar. O Governo Indonesio seria responsável por manter a paz e segurança de forma a que a consulta popular fosse levada a cabo em clima de justiça e de paz e numa atmosfera de liberdade sem intimidação, violência ou interferência de nenhuma das partes.

Marco de 1999 Xanana recebeu a visita da Secretária de Estado Norte-Americana, Madeleine Albright e esta garantiu-lhe, o apoio norte-americano a uma presença internacional em Timor Leste.

4, 5, 6 de Abril de 1999 Eurico Guterres, liderava a milicia Besih Merah Putih (Ferro Vermelho e Branco), que se encontrava na zona de Liquicá. Nestes dias levou avante um massacre aonde se verificou 17 mortos e dezenas de feridos em estado grave (tendo sido o numero de mortos aumentado para 56, segundo uma organização direitos humanos). Este massacre contou também com o apoio explicito de efectivos militares indonesios e de uma unidade da brigada móvel (BRIMOB) da policia.

5 de Abril de 1999 Xanana Gusmão emitiu um Comunicado ” Timor Leste à Beira da Guerra” em resposta aos ataques levados a cabo em Maubara, Liquicá, aonde militares indonesios entraram e dispararam sobre a população civil, matando 17 pessoas e deixando dezenas de feridos. Xanana ordenou que a guerrilha pro-independência retomasse as armas para lutar contra as tropas do Exército Indonesio. ” Pátria ou morte!” “Resistir é vencer!” e a “A luta continuará sem tréguas!” São algumas das palavras de Xanana. Acrescentava o comunicado: ” sei que o povo timorense vai sofrer outro banho de sangue, mas também sei que não temos outra alternativa, porque a Pátria é nossa e porque o direito de possui-la é nosso. E nós estamos preparados para todos os sacrificios que forem necessários” acrescenta : “Nós tomaremos a única responsabilidade sobre tudo o que vier a acontecer e não pediremos uma palavra de piedade à comunidade internacional”. Nesse comunicado lembrava também que, nos últimos meses todos os dias recebia informaçães sobre o agravamento da situação em Timor Leste, dai a decisão de retomar as acções das Falintil, suspensas unilateralmente pela resistência Timorense no intuito de promover a paz e a estabilidade do território. No entanto acrescenta o lider Timorense: “desde Outubro de 1998, que as Forças Armadas indonésias tem vindo a armar milicias para intimidar e armar a população”.

17 de Abril de 1999 mais uma vez, as milicias atacaram, a mandado de Eurico Guterres, desta vez é a cidade de Dili. o objectivo principal deste ataque era matar todos os dirigentes, entre eles constavam nomes como Leandro Isaac e Manuel Carrascalão. Neste ataque muitas casas foram queimadas e destruidas. A casa de Manuel Carrascalao, foi toda destruida, nela encontravam-se cerca de 130 refugiados, 13 deles foram mortos e muitos deles que não conseguiram fugir foram gravemente feridos. Entre eles o “Manelito” Carrascalão, filho de Manuel Carrascalão, foi brutalmente assassinado, em vingança de não conseguirem “apanhar” o pai. Embora as milicias devessem depôr as armas em virtude das negociações entre Portugal e a Indonesia, assinado no acordo entre os dois paises, em Abril de 1999 – em Nova York – acordo esse que visava a intervenção imediata das Nações Unidas em Timor Leste, as milicias Pro-Indonesia nunca o fizeram e são as grandes responsaveis pelo genocidio do povo timorense!

20 de Maio de 1999 Xanana enviou de Salema, mensagem a comemorar os 25 anos da Formação da ASDT/FRETILIN. Esta mensagem foi dirigida aos: ” Companheiro Lu-Olo, Companheiro Mari Alkatiri,Companheiro Ma’Huno, Membros do Comité Central da FRETILIN, Membros da FRETILIN” . Nesta mensagem ele fazia referência ao dias de luta e de sofrimento e relembrava : ” Ao atingir este quarto de século da criação da FRETILIN, não posso deixar de relembrar os vinte meses de existência em que aprendíamos a liberdade e os restantes 23 anos de enorme dor, sofrimento e sacrifício de todo o nosso povo vividos com a certeza da vitória nesta luta contra a ocupação ilegal e assassina”. Acescenta: “A luta pela libertação da nossa Pátria ainda continua. O dia da vitória ainda não chegou. Estamos, no entanto, certos de que sob a bandeira da unidade, unidos em torno do CNRT pelos objectivos supremos da libertação da nossa Pátria e o exercício do direito a auto-determinação, a vitória será inevitavelmente de todos nós – o Povo de Timor-Leste.

No decurso destes 23 anos tombaram mais de 200.000 timores. A FRETILIN viveu a perda de cada uma dessas vidas, junto do Povo, lutando com ele, morrendo com ele e dando a vida pela sua libertação.” Acabava a mensagem ressaltando: “Estou confiante de que, tal como durante estes 25 anos, os quadros e membros da FRETILIN manterão a mesma coragem e determinação, o mesmo empenhamento e entrega ao enfrentar esta nova fase, pela libertação da nossa querida Pátria de Timor-Leste e pelo seu futuro.

A todos os membros da FRETILIN, um forte Abraço de PARABÉNS. ” Assina : “Ray Rala Xanana Gusmão, Presidente do CNRT, Comandante das FALINTIL .”

25 de Agosto de 1999 Xanana emitiu um Comunicado de Jacarta ” A hora é de Construir. Reconciliação, Unidade e desenvolvimento nacional no quadro de Transição “

30 de Agosto de 1999 apesar do clima de intimidação o Povo Timorense foi chamado a votar, e FOI votar!

4 de Setembro de 1999 os resultados da votação foram anunciados : 78.5% dos Timorenses votaram a favor da Independência, indicando a bandeira do CNRT no papel de voto.

Setembro de 1999 o movimento pro-integracionista de milicias, com substancial apoio dos militares indonesios começaram um periodo de incontrolável terrorismo. Milicias e militares destruiram tudo o que poderam, antes que as forças de paz, pudessem entrar em Timor Leste. A população foi obrigada a fugir em grande escala para as montanhas, aonde podiam contar com a protecção das Falintil. O numero de pessoas que foram mortas é incalculavel, tendo cerca de 200.000 sido levadas e obrigadas a ir para a parte de Timor Ocidental. e outras partes da Indonesia.

7 de Setembro de 1999 Xanana Gusmão foi libertado e refugiou-se durante 2 semanas na Embaixada Britânica em Jacarta. Enquanto não viu o dia da sua libertação chegar Xanana Gusmão continuou a sofrer e a lutar com o seu povo pela auto-determinação! Foi um verdadeiro Resistente!

15 de Setembro de 1999 o horror da violência em Timor Leste, finalmente levou os Estados Unidos a pressionarem a Indonesia em aceitar a entrada das forças de paz “dos capacetes azuis”. O Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou uma força Australiana- multinacional, para manter a paz e a segurança em Timor Leste.

18 de Setembro de 1999 Xanana Gusmão pediu para voltar a Timor Leste, mas foi avisado de que era melhor não regressar. Foi então levado secretamente para a cidade de Darwin, Austrália depois de ter recebido várias ameaças de morte, na Embaixada Britânica, em Jacarta, e esta não poder garantir a segurança de Xanana.

19 de Setembro de 1999 Xanana Gusmão chegou secretamente a cidade de Darwin, na Austrália.

26 de Setembro de 1999 Xanana e Ramos Horta foram recebidos pela Secretária de Estado Americano Madeleine Albright, que disse em Conferência de Imprensa “respeitar profundamente os dois homens.”

28 de Setembro de 1999 Xanana Gusmão e Ramos Horta deram Conferência de Imprensa nas Nações Unidas, organizada por Portugal, aonde informaram que tinham ido discutir com os Oficiais das Nações Unidas assuntos relacionados com o periodo de transição, incluindo reconstruir o pais e assistência ao povo durante os tempos dificieis que se adivinhavam. Eles também informaram que estavam preparados para começar com o periodo de transição e que os levariam a independência, razão pela qual tinham lutado os ultimos 24 anos. Nesta Conferência de Imprensa Xanana acrescentou que para o encontro entre as três partes (Indonesia, Portugal e Timorenses) ter sucesso, que tinha que haver um acordo na Fase III. A Fase II, já não era aceitável com as condições presentes. Acrescentou que alguma espécie de administração e controle politico deveriam ser implementados no território imediatamente. A pergunta se o desdobramento da INTERFET, seria suficiente, Xanana respondeu que 7.000 militares eram suficientes, mas o seu desdobramento teria que ser apressado. Informou também que todos os esforços iriam ser feitos para ter “os seus irmãos de volta a Timor Leste”.

3 de Outubro de 1999 – Domingo – o Povo Português aclamou com muito carinho Xanana Gusmão como um Heroi e António Guterres pediu para visitar Timor Leste o mais depressa possivel. Também teve lugar uma emocional marcha dos exilados timorenses, acompanhados pelo Nobel da Paz Ramos Horta e o Bispo de Dili, D. Ximenes Belo. Na mesma altura Xanana visitou a Irlanda, Inglaterra e os Estados Unidos da America.

8 de Outubro de 1999, segunda-feira, Xanana apareceu publicamente em Melbourne, Australia.

20 de Outubro de 1999 a Indonesia aceitou ” formalmente” a independência do território de Timor Leste.

22 de Outubro de 1999 Xanana Gusmão retornou a Timor Leste livre!. O maior simbolo da luta pela independência de Timor Leste, retornou de modo triunfal, sete anos após ter sido preso pelo Exército indonesio. Xanana discursou durante 15 minutos perante uma multidão emocionada e exuberante, gritou “mostrámos ao mundo inteiro, mostrámos à Indonésia, mostrámos a nós mesmos que temos coragem para lutar pela independência durante 25 anos” , visivelmente emocionado e com a voz quebrada pela emoção deu um basta na violência ” Foi uma luta muito dificil. Nosso sofrimento durou tempo demais” disse Xanana. A multidão respondeu fazendo o sinal da vitória e gritando coisas como ” Vida Longa a Timor Leste! “. Muitos tocavam tambores e dançavam para comemorar. Durante toda a manhã, camiões com alto-falantes percorreram as ruas de Dili para anunciar a volta do lider, que sem ter sido visto em público, saiu da Austrália num cargueiro C-130 da Real Força Aérea Australiana.

Comentário pessoal – Xanana Gusmão voltou a Timor Leste 22 de Outubro de 1999, com a barba cuidada, o que não aconteceu quando foi capturado a 20 de Novembro de 1992 . Muito se disse e muito se escreveu àcerca do homem que Suharto considerou ser o inimigo numero um da Indonésia, e poderia considerá-lo isso. Os militares da Indonésia em 1979, tinham aniquilado fisicamente e psicológicamente a resistência de Timor, quando a 31 de Dezembro morre Nicolau Lobato. A resistência ficou desmoralizada e sem líder. Quase todos os seus companheiros tinham sido mortos e os que não tinham sido mortos ficaram sem meios de comunicação. Ninguém sabia quem tinha sido morto, quem estava ferido ou se haviam sobreviventes do “cerco e aniquilamento”. Xanana “recolheu o pouco” que restava da resistência que se tinha organizado para defender o Povo das atrocidades dos militares do Governo Indonésio. Com o muito pouco que sobrou, Xanana tomou a liderança da resistência. Posso afirmar que a luta de Xanana foi um “luta” muito desigual… sem nenhum tipo de apoio económico ou militar, a maltratada resistência não podia abandonar os seus esconderijos nas montanhas, nem tão pouco libertar o seu povo da dominação do quarto Pais mais povoado do mundo e com o exército mais numeroso do sudeste asiàtico.

Os mortos em Timor Leste foram feitos com armas compradas aos Estados Unidos, Austrália e claro aos Paises Europeus. Xanana sempre soube isso, mas a esperança é a última a morrer e Xanana passa não só, a ser um guerrilheiro mas também um politico e luta até ao fim tentando ter esses paises do seu lado. Ele sabia que já nada podia esperar dos barcos portugueses, esses ja tinham sido, também eles obrigados a retirar rumo a Portugal, aonde tambem nós, os Portugueses nos viamos a braços com uma Revolução, cheia de conflitos e contradições. Xanana teve uma luta muito dificil e de muito sofrimento, mas manteve sempre a cabeça erguida, lutando com determinação pela defesa e independência do seu Povo, o Povo Timorense.

Quando preso Xanana mais uma vez conseguiu que a sua luta não fosse em vão e pouco a pouco soube aproveitar as oportunidades que iam aparecendo para sensibilizar o mundo inteiro àcerca da sua luta, que era a luta do seu povo.

E como se costuma dizer “Deus escreve direito por linha tortas”, a hora finalmente aproximava-se. A Indonésia entra em crise politico/económica/social. Cheia de problemas internos de toda a ordem e altamente pressionada pela Comunidade Internacional , viu que não tinha outra alternativa senão ceder a essas mesmas pressões. Muda então de Governo. O papel do novo Governo seria dar uma “imagem” de meninos bem comportados, porque quando entra em jogo o nome “Banco Mundial” os governantes não pensam só duas vezes, pensam milhentas vezes!! Xanana foi libertado pela Indonésia, porque a Indonésia sabia que Xanana era a voz do Povo Timorense e queria ” limpar a cara” perante a Comunidade Internacional, e seria também o “único” meio válido, e claro, a Indonésia sabia também que cada dia que Xanana passasse na Prisão, seria mais herói.

Quando preso, todos viram o que Xanana poderia fazer. Quando prometeu ao Secretario Geral Kofi Annan, que seus homens não atacavam, os seus homens não atacaram, mesmo quando as milicias se organizaram e fizeram massacres em Timor Leste. MAS quando a 5 de Abril de 1999, Xanana perdeu a paciência ao saber dos massacres e de tanta violência, tanta malvadez e anunciou o regresso às armas gritando “Pátria ou morte!” “Resistir é vencer!” e a “A luta continuará sem tréguas!” os seus homens voltaram às armas.

Tinha chegado a hora esperada por tantos milhares de timorenses, e pela qual tantos ficaram pelo caminho, sem poderem chegar ao fim da sua caminhada e ver o seu sonho de liberdade chegar.

E a 7 de Setembro de 1999 Xanana Gusmão foi libertado e a 20 de Outubro de 1999 a Indonésia aceitou formalmente a independência do território de Timor Leste.

Xanana parece ser um homem sempre ligado ao destino, ou então o destino “liga-se” a ele… Foi capurado a 20 de Novembro de 1992, nos arredores de Dili e com ele foi apreendido material contendo informações sobre membros da resistência, identificados pelos nomes próprios e localidades a que pertenciam . Deixo aqui a minha chamada de atenção para quem tem seguido os acontecimentos históricos de Timor Leste e de Xanana Gusmão: tudo isto se passou em casa da mãe de Abilio Araujo…que é o presidente do PTN em 2001, com ligações no terreno com CDP-RDTL, tendo sido detidos 3 Membros a 9 de Março de 2001, acusados em Dili, pela Policia Internacional (Untaet) por alegado envolvimento na tentativa contra a vida de Xanana Gusmão a 7 de Março de 2001. No entanto este golpe bem planeado falhou devido ao facto de a Policia Civil das Nações Unidas ter tido conhecimento do plano para eliminar o lider timorense, pelo que foram tomadas todas as medidas para evitar que o pior acontecesse.

Xanana Gusmão em liberdade, recordará sempre os momentos tão dificeis e os momentos de grande dor, pelos quais, ele e os seus companheiros de guerrilha passaram e viram passar o seu Povo. Acredita-se que mais de 200.000 timorenses foram mortos. Mas como dizia Xanana ” a razão era o nosso ideal de independência” e ” a determinação do nosso povo dáva-nos força, inspiração e motivação para continuar”. Mas para quem conheceu ou conhece Xanana, sabe que tudo isso só lhe deu e continuará a dar força e determinação! Tudo isso fez dele, um homem com um coração maravilhoso e uma pessoa ainda mais humana, mais humilde, ainda que com muito sofrimento. Ele agora e os seus companheiros estão melhor preparados para dirigir os destinos do seu Povo!

Nota: Todo este meu trabalho de pesquisa é uma modesta dedicatória minha a Xanana Gusmão, como agradecimento e previlégio de ter um amigo como ele!

Com muito carinho e muita amizade, para ti Xanana, com um grande abraço e muitos beijinhos! Que Deus te proteja!

Salette
9 de Março de 2001
“”

A biografia acima encontra-se originalmente aqui e a sua autoria é de Maria Salette Santos.

Hoje, PARABÉNS pelo 64º aniversário de Xanana Gusmão!

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One comment

  1. Muitos Parabens ao KRXG!
    Que viva muitos outros porque Timor precisa dele.

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