Timor-Leste: Comité 12 de Novembro quer suspender obras em hotel para recuperar corpos de vítimas da ocupação

 Foto: Helena Espadinha
Díli, 08 mar (Lusa) – O Presidente do Comité 12 de Novembro (Massacre de Santa Cruz), Gregório Saldanha, defendeu hoje que a construção do hotel de cinco estrelas junto a Díli deve ser suspensa para verificar se aparecem mais cadáveres.

No dia 23 de fevereiro, devido à movimentação de terras para a construção do futuro “Pelican Paradise Resort”, um hotel de cinco estrelas desenvolvido por um consórcio da Malásia, junto ao mar, foram descobertos restos mortais alegadamente de vítimas da ocupação indonésia.

Em declarações à Lusa, Gregório Saldanha defendeu que a construção da nova unidade hoteleira deve ser suspensa para permitir determinar se haverá mais corpos enterrados no local, mas não põe em causa a localização do hotel e campo de golfe.

O representante dos sobreviventes e familiares das vítimas do Massacre de Santa Cruz entende que os trabalhos de construção devem ser interrompidos para permitir a uma equipa forense investigar o local.
 

“A meu ver, as obras devem parar para se ver se há ali mais corpos enterrados. Na minha opinião, podem fazer ali o hotel e desenvolver a zona para o turismo, mas acho que o Governo deve criar no local um memorial para recordar às gerações futuras as vítimas da ocupação e dar-lhes conhecimento do que se passou no seu país”, explicou.
 

Gregório Saldanha é perentório em afirmar que “restos mortais encontrados na área de Tasitolu, junto a Díli, são de vítimas da ocupação Indonésia, durante 24 anos, em Timor-Leste”.
 

“Foram até agora encontrados nove corpos em Tasitolu e não há dúvidas de que foram pessoas mortas durante a ocupação indonésia, mas neste momento decorre o processo de investigação detalhado pela equipa forense para os tentar identificar”, disse.

 

O facto de estar ainda preservado algum vestuário poderá facilitar o seu reconhecimento e determinar quando foram assassinados, já que aparenta ser roupa usada nos anos 1980.

 

Gregório Saldanha explicou à Lusa que as zonas de Maubara e Tacitolu eram conhecidas pela população como locais onde os indonésios faziam aniquilamentos de opositores e que sempre houve a convicção de que enterravam lá as pessoas que executavam.

Segundo a mesma fonte, terá sido uma prática nos anos setenta e posteriores, mas a partir da década de noventa, de acordo com relatos populares, terão passado a praticar as execuções em outros locais, mais na parte oriental, nomeadamente nas imediações do Cristo Rei, pelo que é pouco provável que algum dos corpos seja de um dos desaparecidos do massacre de Santa Cruz, há 18 anos.

Um número indeterminado de timorenses desapareceu durante a ocupação indonésia, sem que tenham sido, até à data, localizados os seus corpos, reclamados pelos familiares para lhes poderem dar uma sepultura.

O Governo timorense tem procurado junto das autoridades indonésias obter informações que conduzam à sua localização, tanto mais que entre eles figuram alguns dos principais heróis nacionais da resistência.

MSO.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

Lusa/Fim

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