Uma Lulik, numa versão de 1935/6

Imagem: Definição e descrição de Uma Lúlic por Paulo Braga em ‘A TERRA, A GENTE E OS COSTUMES DE TIMOR(Cadernos Coloniais, Editora Cosmos, 1935?: pág. 49)



“Ao fundo, uma casa e uma fogueira.

Chegámos, finalmente, á uma lúlic, á casa sagrada, ao pomal.

A uma lúlic é o templo dos cultos indígenas. Materialmente, é uma casa que se distingue das outras casas porque reúne dentro de si objectos sagrados, fétiches, vulgares utensílios de uso indígena que, por qualquer, motivo, passaram a sêr lúlic. Espiritualmente, porque se cerca de superstições. E estas são inúmeras. Se o tempo, no exercício da sua eterna função destructiva, não as fôsse eliminando, Timor nada mais seria do que uma massa compacta de uma lúlic!

Em quási todos os reinos, junto ás residencias dos régulos, ergue-se a uma lúlic principal. Esta distingue-se fácilmente das casas particulares. E’ maior. E’ feita com mais cuidado. O telhado eleva-se a uma altura desproporcionada em relação á base. E o fecho – em Timor os fechos das cubatas, feitos em madeira trabalhada, constituem as suas únicas notas artísticas – apresenta um particular esmêro de construção. Contudo, é perante o temôr que se apodera dos indígenas quando deles se aproximam que melhor podemos descobrir a existencia dos pomais, o que se nos torna compreensível quando nos lembramos de que nas uma lúlic há sempre a recordação dos mortos e, em algumas, o dominio do feiticeiro, do macái lúlic, temido por toda a gente. ” (Braga, 1935?, pág. 27)

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: